#Entrevista: Tudo sobre hipnose

Sempre que eu assistia algum filme relacionado a extraterrestres e tinha sessões de hipnose, era  minha curiosidade maior saber como funcionava essa técnica. Lembro de quando vi ela primeira vez o filme “Contatos de 4ºGrau”, onde tudo nos levava a acreditar que era baseado em fatos reais, mas não passava de mais marketing em cima de casos de abdução. Em um certo momento, a protagonista realizava hipnose em seus pacientes, que relembravam momentos de pânico ao serem estudados pelos aliens.

Entrevistei Carlos Casalicchio, que trabalha com Hipnose e Grafologia (estudo da escrita) e vários fatos se esclareceram. Além de matar toda a minha curiosidade, ainda conheci um pouco mais sobre esta técnica que pode ajudar em um suposto caso de abdução. Deixo aqui meu agradecimento especial ao Carlos, e a entrevista na íntegra!

  1. Como você trabalha a hipnose em uma suposta vítima de abdução?

    CC: O processo de relaxamento é o mesmo tanto para abduzidos, quanto qualquer outro tipo de propósito (seja terapia ou relaxamento). Geralmente, se a pessoa tem desejo de fazer regressão, mas tem dificuldades em relaxar, pode ser por um dos motivos:
    a. Ela tem medo de lembrar de coisas potencialmente estarrecedoras
    b. Ela tem dificuldades para relaxar de qualquer forma (extrema ansiedade, traumas, etc.) o que exige algumas tentativas/sessões de aprofundamento antes de conseguir prosseguir para a regressão propriamente dita.
    c. Ela não quer ser hipnotizada por receio de que seja descoberta (no caso de mentiras)

    Esse relaxamento é feito em fases (que podem ser na mesma sessão, dependendo da resposta da pessoa à indução de relaxamento) e, apesar de não ser obrigatório a pessoa “apagar” completamente, é minha experiencia que fica muito mais fácil trabalhar com a pessoa (seja para superar traumas, quanto para lembrar eventos do passado) quando o nível de relaxamento chega ao sonambulismo.

  2. Como você comprova que as informações da hipnose são reais? Pode acontecer da pessoa fantasiar situações?

    CC: Desde o começo deste ano, comecei a analisar a personalidade dos candidatos, antes de prosseguir com a hipnose. Faço essa análise com ajuda da Grafologia. A grafologia consegue determinar se a pessoa tem desvios de caráter, se é fantasiosa, ou se tem traumas (ou dificuldades) reais. Após analisar a personalidade, fica mais fácil decidir quais candidatos tem potencial melhor para comprovação. Embora a grafologia não seja obrigatória, acredito que essa filtragem maximiza o potencial de trabalhar somente com candidatos genuínos de abdução. Como comentei na resposta anterior, alguns indivíduos podem ter dificuldade para entrar em um estado de relaxamento profundo, o que exige do hipnólogo um esforço, às vezes, de horas. Então, minimizar o esforço, especialmente em casos de fabricação de abduções, é minha meta.

    Superada essa fase de análise através da grafologia, durante a própria hipnose a pessoa demonstra reações fisiológicas que são impossíveis de falsificar ou fabricar. Ou, no caso de pessoas que não conseguem ser hipnotizadas por mentira, acabam por relatara exatamente a mesma história que relatam acordados, o que já cria suspeita.

    Qualquer pessoa que se permita ser hipnotizada (pois não importa o quão bom o hipnólogo seja, 70% da hipnose é confiança do hipnotizado no hipnotizador) tem reações fisiológicas visíveis conforme seu “transe” se aprofunda, o que aumentam a confiança de que a pessoa está realmente hipnotizada.

    Além disso, é costume fazer algumas perguntas de controle que sejam propositalmente manipulativas, afim de avaliar a tendência da pessoa a usar a imaginação, invés da lembrança. Perguntar coisas sem nexo ou que nunca foram relatadas em nenhum outro caso ajudam a determinar se a pessoa fantasia demais.

    Após essas avaliações, mantém-se a linha de conduzir o acesso de lembranças (com perguntas claras como “Lembre tudo que aconteceu no dia X) e avaliar se o relato tem paralelo com outros relatos de outras pessoas e até de outros pesquisadores.

  3. Você aplica algum tipo de questionário específico na hora em que a hipnose está acontecendo? Quais as perguntas mais importantes para saber se a abdução foi real?

    CC: Muitas abduções são interpretadas pelo cérebro como sonhos, sendo partes do relato aqueles que realmente aconteceram, e outras partes, mais fantásticas, como as partes em que a mente tentou “entender” o que aconteceu e “criou” explicações para os fatos. Geralmente, quando a pessoa está em hipnose real, ela fala claramente as partes que parece sonho, e que não tem certeza se aconteceram, e relata claramente quando realmente lembra de algo. Geralmente, a primeira hipnose e acesso de lembranças é mais “confusa”, mas conforme mais regressões são feitas, a pessoa aprende a diferenciar quando foi lembrança e quando foi imaginação, e ela mesma começa a fazer essa distinção e se ater somente aos fatos (se o hipnólogo for ético e mantiver essa linha, ao invés de forçar alguma crença através da imaginação do abduzido).

    As perguntas normalmente são abertas, mas com algumas características fechadas, como, por exemplo, pedir para ela lembrar e narrar tudo o que aconteceu no dia 24 de Dezembro de 1999. Conforme a pessoa narra, e chega a lembranças suspeitas ou mesmo lembranças obvias, o questionamento começa a focar nesses fatos, mas sempre buscando imparcialidade, deixando a pessoa narrar os detalhes conforme for lembrando, sem influenciar a linha do tempo ou tentar interpretar o que está sendo lembrado.

    Quando os relatos são reais, mesmo que a pessoa não consiga lembrar tudo na primeira hipnose, seu relato segue um começo, meio e fim, sem ficar pulando entre uma situação e outra. Por exemplo, a pessoa lembra quando foi retirada do seu quarto, levada para a nave, e os procedimentos na nave. Ela não volta, de repente, ao momento em que foi retirada do quarto. A pessoa segue a linha do tempo, com começo, meio e fim.

  4. As testemunhas deste fenômeno ainda possuem receio em contar sobre suas experiencias? Ou hoje em dia são mais abertas?

    CC: Na maioria dos casos, as abduzidas genuínas tem receio de falar sobre suas experiencias porquê tem medo de serem ridicularizadas. Em outros casos, a pessoa fala de sua possível abdução como algo fantástico, com curiosidade, mas sem saber exatamente o que aconteceu. De acordo com o Dr. David Jacobs, toda pessoa que descobre ser realmente abduzida, acaba escolhendo A. Nunca mais tentar saber de mais nada, por ser tão estarrecedor ou B. Acaba querendo descobrir mais, mas não fala disso com ninguém, e muitas vezes não consegue mais se encaixar na sociedade. Existem casos menos extremos, mas resumidamente acontecem assim. Não afirmo que 100% dos outros casos são fabricações, mas na minha experiência, muitas das pessoas que abertamente se dizem especiais, abduzidas, contatadas, portadoras de mensagens transcendentais, são charlatãs que encontraram na ufologia um viés de escape ou manipulação.

  5. No fim da sessão de hipnose, se a pessoa teve alguma lembrança traumática, ela se lembrará disso ou há algum “comando” que a faça esquecer?

    CC: Não tive nenhuma experiencia e desconheço se outros pesquisadores tiveram alguma instancia em que o abduzido preferiu esquecer a lembrança, pois o propósito da hipnose é lembrar daqueles eventos que estavam bloqueados da memória. No entanto, há a possibilidade de trabalhar os traumas, para que sejam ressignificados e parem de ser traumas, afim de que o abduzido consiga suportar e viver com essas experiencias.

    Já com casos de traumas relacionados à abusos (em terapia e não em regressões de abduzidos) já tive pessoas que preferiram esquecer o trauma, após sua ressignificação. Então, embora não seja algo comum, esquecer um evento de abdução é uma possibilidade.

  6. Já houve algum caso que foi comprovado indícios de abdução por conta da hipnose?

    CC: Em alguns casos os abduzidos se lembram de procedimentos que causaram marcas e cicatrizes em seu corpo. Após a regressão, encontram-se essas marcas e cicatrizes no corpo, que a pessoa não tinha ideia que estavam lá. Em outros casos, a pessoa lembra de algum implante ter sido colocado em seu corpo e, após um Raio-X, descobre-se que realmente tem um implante de algum tipo naquela área. Em um caso muito raro e incomum, na índia, foi descoberto um implante dentro do cérebro de uma menina de 12 anos. A humanidade, em seu presente estado tecnológico, não tem capacidade de colocar implantes no cérebro e muito menos remove-los. Esse foi um caso estudado por Budd Hopkins.

 

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