#AlôMarciano: As famosas investigações de campo

Não existe um procedimento padrão para uma investigação de casos ufológicos, cada caso exige um modo diferente de operação e consequentemente, investigação. O ufólogo especialista em contatos diretos com entidades extraterrestres Dr. Waiter Karl Buhler criou um roteiro que foi publicado no boletim da Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores (número 62/65) e citado em um artigo da Revista UFO (EQUIPE UFO, 1988, edição 4).
De acordo com o artigo da Revista UFO citada cima, a ufologia não é considerada uma área que pode ser comprovada por meio de um método praticável regular. Mas, o roteiro ajuda pesquisadores a dar os primeiros passos em relação a uma investigação.
A pesquisa é constituída de alguns passos, como ter uma base de conhecimento para conversar com uma testemunha sem existência de preconceito; ouvir o primeiro relato da vítima anotando informações ou de preferência gravar o relato, para ter também uma noção de suas emoções; o segundo relato será para esclarecer pontos que não foram compreendidos por parte do investigador e montar uma ordem cronológica dos fatos.
Em seguida os croquis são feitos, desenhos como “retrato falado” para que o investigador possa ter melhores explicações sobre o ocorrido; investigar o ambiente que a testemunha vive também é um dos processos muito importantes para o caso, como a parte familiar, grau de educação, ambiente da casa etc. A reconstituição do caso deve ser feita o mais rápido possível, pois podem haver novos indícios e detalhes de acordo com o apontamento do investigador. Por fim são feitos testes psicológicos, como, por exemplo, observar o comportamento da vítima. (BUHLER, 1968, página 46).
Lembrando que o número de pessoas que contam suas experiências é baixíssimo, como o ufólogo e administrador de empresas Thiago Ticchetti escreveu em seu livro “Guia da tipologia dos UFOS” (2017, página 19) “Entretanto, o que mais desencoraja as pessoas a virem a público relatar seus avistamentos é o medo de serem ridicularizadas pelos amigos, vizinhos, família ou sociedade.

#AlôMarciano: Pousando no Brasil

Já no Brasil, centenas de casos foram investigados durante os anos. Luzes vistas alcançando velocidades inimagináveis eram cada vez mais frequentes e tudo começou pouco depois dos acontecimentos do caso Roswell, nos Estados Unidos.
Os casos mais famosos são: Operação Prato, que ocorreu em 1977 no Pará; Noite oficial dos OVNIS (1986) e Caso Varginha (1996). Três casos que ainda desperta a curiosidade dos brasileiros, principalmente para aqueles que gostam do assunto e se interessam pela ufologia.

Dezenove anos antes do caso de Varginha, no litoral e interior do Pará e Maranhão ocorreram fatos bem estranhos. Fenômenos luminosos foram vistos na Ilha de Colares, local onde se documentou mais manifestações ufológicas, moradores contam que feixes de luz vindos de um objeto voador tocavam suas peles, queimando e retirando sangue das pessoas. O nome dado a esse fenômeno foi “Chupa-Chupa”.
A notícia se espalhou e tendo uma ilha inteira com moradores assustados e entrando em pânico, uma das forças táticas mais potentes do Brasil entrou em jogo. A Força Aérea Brasileira acompanhou o caso de perto tendo o capitão Uyrangê Hollanda como responsável, a equipe documentou várias experiências no município e isso resultou na “Operação Prato”, com mais de 500 páginas incluindo fotos, vídeos, documentos, entre outras evidências do caso.
Como de praxe, a mídia impressa noticiou casos muito antes do fenômeno ufológico “Chupa-Chupa”. Jornais como O Liberal, Estado do Pará e A Província do Pará detalharam nem suas reportagens os fatos de forma abundante, tendo no conteúdo várias fotos para ilustrar o local onde tudo aconteceu, e entrevistas com testemunhas.
Podemos ler na edição de 16 de julho de 1977 do jornal O Liberal os seguintes dizeres:

“Um UFO foi fotografado em Montevidéu, de formato esférico, confere com os estranhos objetos vistos em diversos pontos do território paraense, bem como do lado maranhense do Rio Gurupi e ao longe de toda região fronteiriça entre os estados. Ainda ontem, tais objetos foram observados em diversas localidades do interior maranhense, causando
espanto às populações, à semelhança do que ocorre na área Vizeu, no Pará.” .(GIESE, UFO Especial, edição 71, 2013).

“A Noite Oficial dos OVNIS” nome dado a um dos casos mais conhecido pelos comandantes da Aeronáutica brasileira. Em 19 de maio de 1986, os radares da Defesa Aérea e Trafego Aéreo de Brasília captaram durante três horas, vinte objetos voadores não identificados nas cidades de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, o que chamou a atenção do Alto Comando da Força Aérea do Brasil.
Caças foram enviados para a interceptação e perseguição dos objetos voadores, a segurança aérea brasileira já não estava segura, principalmente em São Paulo, onde o trafego aéreo é intenso. Os comandantes, em uma coletiva de imprensa, confirmaram todos os acontecimentos da noite em que OVNIS foram perseguidos pelos céus brasileiros.

No dia 20 de janeiro de 1996 o Brasil parou para assistir e ler todas as informações sobre a aparição de um ser com características desconhecidas, na cidade de Varginha em Minas Gerais.
Um objeto cinza com formato de um submarino também foi avistado por um casal de fazendeiros, sobrevoando o pasto e soltando uma fumaça branca. Não somente um ser foi visto, mas pessoas afirmam terem visto mais 4 criaturas desconhecidas. Bombeiros foram acionados para capturar o primeiro “animal”, colocam-no em uma caixa dentro de um caminhão e retornam ao quartel da cidade. Já o segundo ser foi avistado por três garotas, que ficam apavoradas e correm para suas casas. Logo em seguida, outro ser foi encontrado e resgatado pela Polícia Militar, levando-o para pronto socorros e hospitais, onde ninguém queria atendê-lo.

O “Caso de Varginha”, como foi intitulado, causou curiosidade e até mesmo medo nos moradores da cidade. A mídia de massa, televisiva e impressa, foi de grande importância para o caso pois levou até o público informações, pressionou militares para obter respostas e lutou junto aos ufólogos para descobrir a verdade. Mais que isso, a mídia ajudou na movimentação e esclarecimento dos fatos por parte de entidades que participaram do caso. Por outro lado, aumentaram as piadas por parte de programas humorísticos da época, casos falsos e diante disso, as pesquisas foram prejudicadas.

#AlôMarciano: Ufologia no Mundo

Há muito tempo ouvimos sobre vida fora do nosso planeta. Todos os lugares do mundo possuem uma história sobre quedas de Objetos Voadores Não Identificados, os famosos UFOS, luzes que se movimentam em alta velocidade pelo céu e pessoas que tiveram contato direto com criaturas não humanas.
A história da mídia com os extraterrestres começa bem cedo e é impossível não citar um dos episódios mais dramáticos envolvendo essas duas vertentes. Orson Welles escreveu o livro “Guerra dos Mundos” em 1898, que mais tarde seria dramatizado e adaptado como um noticiário para os ouvintes do programa Mercury Theater. A transmissão do dia 30 de outubro de 1938 aterrorizou os Estados Unidos pois narrava uma invasão alienígena e o público interpretou todas as informações como verdadeiras, instalando o pânico na cidade de Grover’s Mill. No começo da transmissão, o narrador até fala sobre a adaptação de Welles para a rádio, mas alguns não acompanharam essa parte da história.

No formato de um noticiário real, a transmissão interrompia a programação habitual para informar sobre os ataques de naves intergalácticas. Com uma descrição sem igual dos acontecimentos e entrevistas com autoridades, o repórter descrevia os monstros como se fossem reais, tudo dramatizado perfeitamente. O resultado foi o público entrando em pânico, fazendo ligações para a polícia e formando grupos armados para lutar. No site Mundo Estranho, o artigo “Como foi a transmissão de rádio inspirada em ”Guerra dos Mundos”?”, escrito por Victor Affonso em 2017, traz o áudio da interpretação de Welles. No trecho da transmissão, podemos entender o grau de dramatização dos atores com os dizeres: “Algo está acontecendo. O que é aquilo? Chamas pulam do espelho em direção aos soldados. Atingiram-nos de frente! Meu deus, eles pegaram fogo! O fogo pula para as árvores, para os tanques dos automóveis.”.

Tudo não passava de um programa de rádio, disseram aos ouvintes pouco tempo depois. Welles teve que dar explicações sobre o ocorrido, porém ganhou notoriedade e um contrato em Hollywood, o que ajudou a alavancar a sua obra “Cidadão Kane”. Boatos e interpretações errôneas levaram uma cidade inteira ao caos total e histórias como essa se repetiriam mais duas vezes em outras partes do mundo tempos depois.

A imprensa mundial também atuou no caso do piloto civil Kenneth Arnold, que avistou na cidade de Washington em 24 de junho de 1947 nove objetos voadores, que viajaram em alta velocidade. Uma história interessante para os jornais e uma fonte com reputação não questionável, Arnold deu várias entrevistas contando sobre o que viu. Em seu artigo para a Revista UFO, Thiago Ticchetti relata “O objeto que parecia comandar a esquadrilha estava numa elevação maior do que os demais. A princípio, (Kenneth) achou que fossem jatos, mas não via asas e sua velocidade era muito grande” (TICCHETTI, 2010). Começa então a grande descoberta e o termo Discos Voadores aparece pela primeira vez na mídia, popularizada pelo jornalista Bill Bequette, da United Press, que tomou nota de todas as informações que o piloto deu a imprensa.

Diante de todos os casos, existe um que ainda intriga milhares de pessoas ao redor do mundo. A cidade do Novo México, Roswell, ficou conhecida depois que destroços de uma suposta nave espacial desconhecida foram encontrados por militares depois de sua queda. O detalhe mais peculiar da história é que a base do 509º Esquadrão de Bombardeios da Força Aérea do Exército americano ficava próximo ao local da suposta queda UFO, o que torna tudo ainda mais suspeito para profissionais ufólogos.

Testemunhas afirmaram ter visto luzes no céu do dia 02 de julho de 1947, pouco tempo depois de Kenneth Arnold prestar seus depoimentos para a mídia. Poderia se tratar de mais um avistamento ou pessoas querendo os holofotes novamente, mas ouviu-se um estrondo em uma fazenda próxima a Roswell, que diferenciava de sons de trovões da tempestade de verão que ocorria no momento. Nos dias que se passaram, encontraram fragmentos de um metal desconhecido. Com isso, o comandante da base citada acima enviou uma nota à imprensa dizendo que os fragmentos eram de origem extraterrestre. A mídia entrou em ação. O jornal da cidade, Roswell Daily Record, divulgou na sua primeira página a seguinte manchete “RAAF Captures Flying Saucer on ranch in Roswell Region” (“RAAF (Roswell Army Air Field, Aeródromo Militar de Roswell) captura disco voador em rancho na região de Roswell”, que desmentiu a notícia no dia seguinte afirmando que os destroços não eram de uma nave espacial de fato.

Testemunhas mudaram seus depoimentos dizendo que os destroços não passavam de partes de um balão meteorológico, que caiu na fazendo após a tempestade. Segundo o ufólogo brasileiro Marco Antonio Petit, que em seu livro “Varginha –Toda verdade revelada” (2015, página 37) cita que a rádio local em Roswell KGFL divulgou a história desmentida e recebeu ordens para suspender qualquer tipo de cobertura do caso com a represália de ter a licença da rádio caçada se não atendessem as exigências. Outras ameaças à imprensa foram feitas até que por anos mais nada ouviu-se falar sobre Roswell.

Filmes, livros, documentários. O conteúdo sobre ufologia hoje é um campo vasto, onde todos podem encontrar materiais para estudo aprofundados ou somente por curiosidade de descobrir novos assuntos. A ufologia ainda é tratada com preconceitos e em pleno século XXI é inevitável as piadas quando se entra nesse assunto, justamente pela falta de credibilidade. Para piorar a situação, casos ilusórios entopem a internet, causando o descrédito e atrapalhando a pesquisa de milhares de profissionais sérios.

Já os cientistas não se arriscam nesse campo. Eles evitam os estudos ufológicos para não prejudicar sua reputação diante da banca científica. Claro que existem alguns que acreditam em silêncio ou estudam paralelamente o assunto, mas sempre com receio. A maioria dos profissionais consideram a ufologia ainda uma pseudociência, relutando em dar o devido crédito por falta de métodos científicos. Provas, pesquisas, uma equipe que avalia casos, ainda não são suficientes para ter confiabilidade na área.

O cientista renomado Josef Allen Hynek (1910-1984) foi um dos únicos a se envolver com pesquisas do fenômeno UFO. Hynek começou sua jornada pela ufologia cético, porém depois de avaliar milhares de depoimentos de pessoas instruídas como policiais, estudiosos, pilotos, entre outros, ele decidiu mergulhar na ufologia como profissão e utilizar dos métodos científicos para investigar os casos. Depois de tantas pesquisas, o cientista terminou sua vida acreditando que o fenômeno OVNI era algo mais psicológico do que vida alienígena. A revista Superinteressante em 2005 abordou o assunto, transcrevendo uma citação sobre o que Hynek disse sobre o assunto “Tenho apoiado cada vez menos a ideia de que os óvnis são espaçonaves de outros mundos. Há tantas coisas se opondo a essa teoria. Para mim, parece ridículo que superinteligências viajariam grandes distâncias para fazer coisas relativamente estúpidas, como parar carros, coletar amostras de solo e assustar pessoas” (HYNEK,1976).

Casos multiplicam-se a cada dia, mas infelizmente poucos chegam as mãos dos ufólogos, muitas vezes por medo de se tornarem chacotas ou virarem piada no círculo familiar ou amizade. O fenômeno UFO hoje pode ser comprovado por testemunhas, documentos como fotos, filmes, gravações, provas periciais e por profissionais que trabalham diretamente nas pesquisas, aumentando a credibilidade das pessoas que estão envolvidas. Para a área esses documentos são de extrema importância na busca de visibilidade da comunidade científica, um fator que impulsionaria e muito a ufologia atualmente.

#AlôMarciano: OVNIs pousando no jornalismo

O jornalismo incorporado na ufologia ganha espaço, mais que isso, ganha credibilidade

Começo esta reportagem com uma frase que li no livro “UFOS: Militares, Pilotos e o Governo abrem o jogo” da autora e jornalista investigativa Leslie Kean, que escreve “Era como se todo mundo estivesse fingindo que eles não existiam”, se referindo aos objetos voadores não identificados. O jornalismo sempre abordou histórias sobre aparições estranhas de cunho ufológico, mas o que também sabemos é que esta abordagem, em sua maioria, era repleta do famoso sensacionalismo.
Vemos uma mídia que trata a ufologia com desprezo. Os veículos de comunicação podem até noticiar, mas sempre com um plano de fundo baseado na ridicularização do assunto. Leslie também falou sobre o preconceito da mídia em geral, dizendo que gostaria que não houvesse aquela piscadinha e aceno com a cabeça na televisão ou jornal, como se quisessem deixar o leitor entender que o material é bobo, mas que eles estão cobrindo de qualquer maneira. Além disso, segundo a jornalista, pessoas da “comunidade OVNI” e teoricos da conspiração fazer afirmações que não podem ser substanciais, então isso só dá mais material ao ridículo para a mídia, e não ajuda a ganhar uma cobertura séria sobre o tema. “O maior problema nos EUA é a falta de cobertura de todos os meios de comunicação maiores, mais ”mainstream”. Eles simplesmente não abordam esse tópico, raramente produzem algo. Mas também, há uma atitude cultural de longa data que os OVNIs são uma piada que infundiu o pensamento das pessoas, e isso existe há décadas e é difícil de superar. Isso criou preconceitos, e o fato de que o governo não leva isso a sério e não investiga casos, pelo menos nos EUA.”

Porém, Roger Marsh afirma que este preconceito está mudando de 10 anos para cá: “Há um mesmo preconceito aqui nos EUA, mas muitas informações sobre OVNIs estão disponíveis agora nos principais meios de comunicação, mais do que nunca. O fator “ridículo” diminuiu nos últimos 10 anos e, atualmente, uma porcentagem maior da população se sente melhor em relação a relatos de casos de OVNIs e sua discussão.”

Então por que não produzir um conteúdo que seja uma divulgação dos fatos produzido pelos ufólogos? Afinal, como muitos ufólogos relataram em suas entrevistas a mim, as técnicas de investigação tanto jornalísticas como ufológicas quase se confundem, mantendo o mesmo roteiro de trabalho.
O primeiro passo dos ufólogos é investigar um caso. O investigador e ufólogo Marco Aurélio Leal contou sobre suas pesquisas e como são os métodos de investigação que os ufólogos, e ele mesmo, usa em seu trabalho de campo. Geralmente eles vão até o local do suposto pouso de um OVNI ou agroglifo – desenhos nas plantações – e fazem a análise do solo, tiram fotos, medem o tamanho do terreno e da área atingida, e anotam todos os detalhes, inclusive fazem uma entrevista com as testemunhas do fato, como em um processo jornalístico, onde o ponto essencial é a checagem das informações obtidas. No caso de fotos ou vídeos, o ufólogo diz que por incrível que pareça, de 100% das fotos enviadas, apenas 5% que realmente são interessantes para investigação. Os outros 95% é engano ou fraude. Infelizmente, com a chegada da tecnologia, o que está atrapalhando as pesquisas desses profissionais são os Drones, no qual pessoal tiram fotos ou vídeos e acabam se enganando achando que é algo de outro planeta. Então, a cada caso que aparece, o cuidado ao dizer sobre do que aquilo se trata é mais complexo.

Três critérios são essenciais para uma boa exposição dos fatos, seja no âmbito do jornalismo ou da ufologia; são elas a investigação, a apuração de informações e a credibilidade. As técnicas jornalísticas de investigação de uma matéria consistem em checar os fatos do caso, entrevistar fontes, confirmar várias vezes dados de informação que culmina em uma matéria, ou se for o caso, um livro mais aprofundado. Na ufologia o mesmo acontece, você precisa confirmar as informações várias vezes para construir uma pesquisa séria e com propriedades.

Roger Marsh, editor que está à frente do jornal do centro de investigações ufológicas americano MUFON, em entrevista, respondeu alguns tópicos sobre seu trabalho comandando a publicação. Marsh afirmou que o mesmo processo de investigação no jornalismo é usado para uma investigação UFO. O editor diz que eles prezam pelo testemunho direto de quem viu objetos voadores, por exemplo, e daqueles que estavam investigando diretamente o caso também.

Já para o editor da Revista UFO, Ademar José Gevaerd, que trabalha há mais de 35 anos com jornalismo e investigações ufológicas, as funções das duas profissões são bastante semelhantes. Ele diz que quando publicaram um caso pesquisado por um cidadão que é advogado e pesquisador, sendo um material muito interessante sobre OVNIs no interior da Bahia, ele realizou entrevistas ótimas com as testemunhas e esse material é reproduzido fielmente ao relato das testemunhas. Não há uma edição profunda das entrevistas, elas são publicadas como foram feitas, isso, na opinião do editor, enriquecem a publicação.

A apuração, que como a investigação, também é um dos pontos mais decisivos para uma boa matéria, é feita a partir de conversas com testemunhas dos fenômenos, que geralmente são pessoas simples, que podem ser chave para informações muito importantes de um caso.

A autora Leslie Kean me contou em entrevista, sobre suas fontes de informação, que não necessariamente são só pessoas que trabalharam para o governo, como pilotos ou militares. Normalmente, diz a jornalista, são indivíduos que se aposentaram de um trabalho militar e que se sentem livres para falar sobre o que viram sem prejudicar suas carreiras. Outra fonte de informação da investigadora são os documentos governamentais, pois possuem uma variedade de agências, incluindo as forças armadas. Pilotos comerciais também integram o grupo de fontes mais confiáveis.

Já o site OVNI HOJE, que conheci através do ufólogo Thiago Ticchetti, trabalha com divulgação de informações internacionais para os brasileiros. Luiz Neme, criador e gerenciador o site traduz todas as matérias, para que essas informações cheguem até o Brasil de forma mais rápida. Ele busca informações nos sites da NASA, AstroWatch.com, GalaxyDaily.com, Disclose.tv, MysteriousUniverse.org. Infelizmente, Neme não possui ferramentas para checar fontes de informação, porém deixa sua opinião sobre o caso em todas as matérias, pois debruçado em sua experiência, consegue distinguir quais conteúdos são duvidosos.

Outro site que conheci foi o Portal Fenomenum, gerenciado por Jackson Camargo desde 1999. Ele, assim como Luiz Neme, trabalha sem uma equipe, exercendo todas as funções de editor do site. Camargo me contou que não publica casos ufológicos recentes pois ainda estão em investigação, sendo assim, o conteúdo do site é produzido a partir de acontecimentos antigos, que já possui informações suficientes para o leitor.

O criador do site diz que sempre há essa preocupação com a credibilidade das matérias que divulga. Ao abordar um caso, ele procura fontes em livros, boletins especializados, jornais, revistas impressas, tanto da época dos fatos, quanto posteriores, gerados por quem pesquisou o ocorrido. Camargo organiza essas informações, comparo cada uma delas, se houver alguma distinção de informações, ele a elimina, buscando a informação mais precisa, buscando entrevistas, imagens e documentos que validem esta informação. De posse disso tudo, expõe todos os fatos, apresentando todas estas fontes ao leitor, de modo que outros pesquisadores possam reiniciar uma investigação, caso necessário. Para as fontes de informação do site, Camargo afirma que dá preferência a livros, boletins especializados e documentários, depois jornais e revistas. E por último, em caso de necessidade, em sites na que preservem a idoneidade de informação.

Em entrevista, Gevaerd, o pai da Revista UFO, diz que a conquista de ser uma das mais antigas sobre ufologia do Brasil se dá devido a sua persistência, a constância e a pureza do propósito. Além de me contar todos os processos evolutivos pelos quais a revista passou desde 1985, o criador da UFO contou sobre os métodos de checar informações e credibilidade.

Os textos chegam de várias procedências. Há aqueles que Gevaerd pede a autor para fazê-lo, que contenha um tema específicos ou mesmo entrevistar outras pessoas, que são os praticamente 20% do conteúdo da publicação. Os outros 80% são pesquisas e investigações que colaboradores enviam espontaneamente. A revista toda é editada em um padrão, com regras de formatação de linguagem, parágrafos semelhantes, correção ortográfica, quantidade de tamanho e palavras, título, organização de pesquisa, entre outros fatores. O intuito desta formatação é fazer com que o leitor se sinta em um mesmo ambiente de leitura, tanto online quanto impresso.

Já sobre a credibilidade das matérias, Gevaerd afirmou que primeiramente o ufólogo tem que ser alguém que demonstre que sabe sobre o que está falando, e não necessariamente precisa ser uma pessoa experiente. Alguns autores da “UFO” são pessoas simples. O editor conta que até um frentista de posto escreve para a revista, suas ideias são ótimas e ele escreve bem, não precisando de muitas edições em seu texto. Além de escrever para a revista, o frentista pesquisa as ocorrências de Minas Gerais, onde mora, faz seus relatórios comparando com algum outro caso parecido, envia para a revista e a publicação acontece.

Gevaerd espera que os autores tenham conhecimento sobre o assunto que estão falando e escrevendo, pois se confrontados por alguém a respeito da consistência do conteúdo, podem defender o que produziram, por exemplo, sobre a credibilidade da sua pesquisa. Como o editor faz um jornalismo diferente, todos os pontos devem ser apurados, pois é um jornalismo mais particular pelo fato da área não ter muito conhecimento integrado a sociedade. Procura-se, na Revista UFO, fazer um jornalismo mais tradicional, mas levando em consideração a “estranheza” do assunto.

 

 

 

#Aleatoriedades: Não lembra, lembra!

Acorda. Tenta levantar da cama e falha. Mais uma vez. Senta na beirinha. Respira fundo. Um pouco de café amargo para por tudo no lugar. Não adiantou. Olha no espelho. Tudo sem graça. Volta para a cama. Tenta não lembrar. Lembra. Não quero. Procura por uma mensagem no celular. Não tem. Joga de lado. Tenta se distrair. Música alta não tira a dor. Mas vamos lá. Só mais um dia, mulher. Revira os olhos. Nada de novo, voltamos para a estaca zero. Sem borboletas no estomago. Sem frio na barriga. Sem alegria matutina. Sem nada. Não pensa. Não digita. Quantos nãos eu já falei hoje. Chega. Come porcaria que alivia. Um, dois, três brigadeiros de uma vez.  É mentira, não alivia. Vai para uma festa, então. Bebe igual gente grande. I gotta stay high all the time. Ver tudo girar pelo menos faz esquecer. To keep you off my mind. A dor passou afinal. Vai demorar, mas vai esquecer.
Ninguém é de ferro.
E Ninguém é para sempre.

#Entrevista: Operação Prato nos jornais

Durante a produção do meu livro pude conhecer pessoas que eu já acompanhava há tempos. Além dos ufólogos, eu queria entrevistar algum jornalista que esteve diante de um caso ufológico de fato. E não é que eu consegui.

Carlos Mendes esteve de frente com as testemunhas do caso Operação Prato, ocorrido no Pará em 1977. Conheci Mendes em Campinas, em um dos Congressos da Revista UFO. Infelizmente por conta do tempo, não pude entrevistá-lo pessoalmente, mas a palestra ministrada por ele, contando cada detalhe de suas pesquisas e investigação, rendeu quase um capítulo inteiro do meu livro.  Obrigada Carlos, por dividir tanto conhecimento comigo. Segue a entrevista na íntegra!

Qual foi o seu primeiro contato com os acontecimentos da Operação Prato?
CM- Comecei a investigar o ataque dessa luzes misteriosas nos primeiros dias de maio de 1977, quatro meses antes que os militares da Operação Prato, ligados à Aeronáutica, fossem para a região. O que levou esses militares e agir foram as inúmeras notícias e reportagens publicadas pela imprensa do Pará sobre o aparecimento dessas luzes. Devo dizer que no auge das aparições e nos locais onde me encontrava não vi nada.Fui para ver, tirar a prova dos nove, mas não vi. Isto não quer dizer que o fenômeno não existia por eu não ter visto ou mantido contato com as luzes. Jornalista trabalha com fatos e os fatos aconteciam, independentemente da minha vontade.

Você disse em uma matéria na Revista UFO que não teve nenhum contato com as luzes.como você encarava o testemunho das pessoas que viam? Acreditou logo no início ou relutou?
CM – No auge das aparições, meu espírito de São Tomé me fazia desconfiar dos depoimentos das pessoas atendidas nas unidades saúde, onde os ataques eram a mim relatados, ou mesmo nas residências das supostas vítimas. Mas, aos poucos, percebi que havia um nexo causal naqueles relatos. Com algumas pequenas variações – num caso, aterrador, em uma fazenda do Rio Maguari, na Olaria Keuffer, um ser humanoide foi visto e teria perseguido um barqueiro. Os depoimentos tinham consistência e não pareciam coisa inventada. Ou movida por “histeria coletiva”, como resumiu em seu relatório o psiquiatra militar Pedro Ernesto Póvoa, outros psiquiatras de Belém e parapsicólogos, além de padres e evangélicos. Para os religiosos, era manifestação do diabo. Para outros crentes, não religiosos, sinais do fim do mundo.

Qual era a ação dos militares para com os jornalistas que estavam cobrindo a Operação na época? Tinha uma repressão maior por acontecer algo desconhecido até para eles? Você sofreu ameaças?
CM- Sempre houve grande interesse dos militares da Aeronáutica, e do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de inteligência do regime dos generais, na tentativa de controlar a imprensa, então sob censura, depois que os fatos ganharam as ruas e as manchetes dos jornais. Os militares com quem conversava em Colares diziam que a imprensa agia com sensacionalismo e que as notícias publicadas causavam medo na população, abalando a segurança das pessoas. Fui ameaçado várias vezes pelo capitão Holanda, numa delas ele me encontrou na cidade de Colares e disse que eu deveria ir embora do local, porque alí estavam sendo investigadas “coisas sérias”. E sempre fazia questão de declarar que a imprensa deveria ficar longe de Colares. Claro que isto aguçou minha curiosidade eu fiquei, fiz meu trabalho e perturbei muito os militares. Jornalismo é isto: contrariar interesses de poderosos e informar o público.

Como eram seus métodos de checagem de informação na época e montagem de matérias? As testemunhas colaboravam ou tinha um certo receio em falar sobre o ocorrido?
CM – Era um método simples: ouvir as pessoas, gravar, anotar depoimentos, fazer várias vezes a mesma pergunta para ver se as pessoas se contradiziam, uma técnica jornalística que se aproxima muito do sentido de uma investigação policial. Nunca tive problemas com as testemunhas dos fenômenos. Elas sempre foram abertas e solícitas. Uma coisa que nunca esqueci: o pânico estampado na face das pessoas que diziam ter sido atacadas por luzes que desciam dos céus e extraiam sangue delas, deixando-as depois com sintomas como fraqueza, dores de cabeça e tontura. Vi e testemunhei isso, procurando manter o distanciamento crítico do repórter escalado para a cobertura pelo jornal “O Estado do Pará”.

Você deixou de colocar algum testemunho em suas matérias por falta de credibilidade da fonte?
CM – Em alguns casos, sim, mas foram bem poucos. Senti não a falta de credibilidade, mas a inconsistência e certa confusão no relato. Descartei por não perceber firmeza nas respostas. Não sei se era nervosismo ou medo.Pessoas simples, do interior, também sentem que podem se expôr ao ridículo, chamadas de loucas, como ocorre em manifestações de coisas para as quais ainda não temos explicações.

Você teve alguma matéria censurada sobre a Operação? Tanto pelos editores dos jornais em que trabalhou ou militares?
CM – Não, inclusive as matérias inéditas que nunca foram publicadas, porque seriam reunidas num caderno especial depois das aparições e fotografia pelo meu jornal de uma nave-mãe na Baía do Sol. Essas matérias estão no meu livro que deve ser publicado – assim espero – até o final deste ano de 2017.

Como jornalista, o que você acha que aconteceu em Colares e região? Na sua opinião, realmente eram inteligências extraterrenas que provocaram os ferimentos nas pessoas?
CM – Não sei definir. Acho que os militares da operação também não saberiam dizer, até porque eles foram testemunhas dos contatos, como revelou naquela histórica entrevista ao Ademar Gevaerd, da revista UFO, o capitão Uirangê Holanda. Para mim, o estado emocional e físico de algumas das cerca de 80 pessoas que entrevistei em diversos municípios da região nordeste do Pará chocou-se contra meu ceticismo. Eu pensava: “será que estão mentindo, inventando essas coisas?”. O detalhe é que pessoas de diferentes municípios, distantes mais de 200 quilômetros umas das outras, de comunidades ribeirinhas cercadas por rios e florestas, que sequer se conheciam pessoalmente, contavam exatamente as mesmas estórias sobre as aparições e ataques das tais luzes. É um mistério para o qual até hoje busco respostas.

Qual foi o fato que mais te deixou curioso sobre o caso e ainda te deixa até hoje?
CM – Vários fatos, além da descrição detalhada das formas dos objetos e cores das luzes que surgiam dos céus, focavam nas pessoas e desferiam raios sobre elas. Claro que nem todos os relatos abordam essa forma de ataque. Vários apenas se referem a luzes paradas, acima das casas, mas bem perto, e logo em seguida a disparada rumo ao espaço, sumindo na escuridão. Fiquei surpreso ao ter visto os militares levarem equipamentos de gravação, câmeras e filmes super-8, o sistema usado na década de 70, além de máquinas fotográficas, binóculos, teodolito, até helicóptero. Montaram um sistema forte de investigação. Armaram barracas de lona numa praia de Colares, organizavam as pessoas que diziam ter visto as luzes ou por elas ter sido atacadas, para que prestassem depoimentos. Apenas uma vez, porém, levaram um médico psiquiatra, um oficial chamado Pedro Ernesto Póvoa. Ele ficou um dia numa localidade conhecida por Santo Antônio de Ubintuba, onde testemunhei fatos extraordinários, inexplicáveis, relatos consistentes de aparições e ataques das luzes insólitas. A FAB se envolveu no caso por ordens superiores, do então Ministério da Aeronáutica, em Brasília. A ordem era, inicialmente, investigar ações de comunistas, temendo que a Guerrilha do Araguaia, aniquilada pelo regime militar nas matas do sul do Pará em 1975, dois anos depois tivesse retornado, desta vez no nordeste paraense, em regiões mais próximas da capital, Belém, para “fazer a cabeça” das pessoas do interior. Uma grande bobagem dos militares, que depois abandonaram a esdrúxula e hilária tese, até porque os próprios militares da Operação Prato escreveram em relatórios terem visto as luzes em evoluções nos céus que desafiavam as leis da física. Por terem dito e escrito que também viram o que as pessoas comuns tinham visto, esse foi o motivo em que a Operação Prato foi encerrada abruptamente pelo alto comando da Aeronáutica. O então comandante do 1º Comar, em Belém, o brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira – e digo isso no livro que brevemente lançarei com fatos inéditos sobre as investigações que fiz entre 1977 e 1978 – chegou a afirmar para mim, no gabinete dele, que o pessoal da Operação Prato tinha “endoidecido”, principalmente o capitão Uirangê Holanda, que dizia ter visto uma imensa nave extraterrestre pairando sobre o barco dos militares, certa noite, no rio Guajará-Mirim, em Colares. Sobre o Holanda, com quem tive algumas discussões, até mesmo refutando a ordem dele para que saísse de Colares durante a investigação militar, não acredito que ele tenha sido assassinado por saber muitos segredos da Operação Prato, como sugerem alguns teóricos de conspirações. Ele sofria de depressão, havia tentando por duas vezes o suicídio, até que na terceira conseguiu consumá-lo.

Vi algo muito estranho, se não me engano em setembro de 1979, quando as aparições já eram escassas. Eu estava acompanhado pelo parapsicólogo, espírita e general do Exército, Moacir Uchoa, na Baía do Sol, juntamente com uma equipe do Globo Repórter que depois me entrevistara, quando numa vigília observamos uma luz muito brilhante, em alta velocidade, mergulhar nas águas da Baía do Marajó e dela sair, passados alguns segundos, em uma velocidade ainda maior, sumindo no firmamento. Claro que aqui não era meteoro, balão meteorológico, ou o planeta Venus. Meteoro cai e não volta. A equipe toda ficou impressionada. E eu, um cético de carteirinha, mais ainda. O detalhe realísticamente sórdido: a câmera do cinegrafista do Globo Repórter tinha sido desligada minutos antes, porque ficamos até quase 5 da manhã naquela vigília sem nada ver. O general Uchoa chegou a dizer: “essas coisas acontecem. Não filmamos por um infeliz coincidência”. Mas aquilo não saiu da minha cabeça até hoje.

#Entrevista: Tudo sobre hipnose

Sempre que eu assistia algum filme relacionado a extraterrestres e tinha sessões de hipnose, era  minha curiosidade maior saber como funcionava essa técnica. Lembro de quando vi ela primeira vez o filme “Contatos de 4ºGrau”, onde tudo nos levava a acreditar que era baseado em fatos reais, mas não passava de mais marketing em cima de casos de abdução. Em um certo momento, a protagonista realizava hipnose em seus pacientes, que relembravam momentos de pânico ao serem estudados pelos aliens.

Entrevistei Carlos Casalicchio, que trabalha com Hipnose e Grafologia (estudo da escrita) e vários fatos se esclareceram. Além de matar toda a minha curiosidade, ainda conheci um pouco mais sobre esta técnica que pode ajudar em um suposto caso de abdução. Deixo aqui meu agradecimento especial ao Carlos, e a entrevista na íntegra!

  1. Como você trabalha a hipnose em uma suposta vítima de abdução?

    CC: O processo de relaxamento é o mesmo tanto para abduzidos, quanto qualquer outro tipo de propósito (seja terapia ou relaxamento). Geralmente, se a pessoa tem desejo de fazer regressão, mas tem dificuldades em relaxar, pode ser por um dos motivos:
    a. Ela tem medo de lembrar de coisas potencialmente estarrecedoras
    b. Ela tem dificuldades para relaxar de qualquer forma (extrema ansiedade, traumas, etc.) o que exige algumas tentativas/sessões de aprofundamento antes de conseguir prosseguir para a regressão propriamente dita.
    c. Ela não quer ser hipnotizada por receio de que seja descoberta (no caso de mentiras)

    Esse relaxamento é feito em fases (que podem ser na mesma sessão, dependendo da resposta da pessoa à indução de relaxamento) e, apesar de não ser obrigatório a pessoa “apagar” completamente, é minha experiencia que fica muito mais fácil trabalhar com a pessoa (seja para superar traumas, quanto para lembrar eventos do passado) quando o nível de relaxamento chega ao sonambulismo.

  2. Como você comprova que as informações da hipnose são reais? Pode acontecer da pessoa fantasiar situações?

    CC: Desde o começo deste ano, comecei a analisar a personalidade dos candidatos, antes de prosseguir com a hipnose. Faço essa análise com ajuda da Grafologia. A grafologia consegue determinar se a pessoa tem desvios de caráter, se é fantasiosa, ou se tem traumas (ou dificuldades) reais. Após analisar a personalidade, fica mais fácil decidir quais candidatos tem potencial melhor para comprovação. Embora a grafologia não seja obrigatória, acredito que essa filtragem maximiza o potencial de trabalhar somente com candidatos genuínos de abdução. Como comentei na resposta anterior, alguns indivíduos podem ter dificuldade para entrar em um estado de relaxamento profundo, o que exige do hipnólogo um esforço, às vezes, de horas. Então, minimizar o esforço, especialmente em casos de fabricação de abduções, é minha meta.

    Superada essa fase de análise através da grafologia, durante a própria hipnose a pessoa demonstra reações fisiológicas que são impossíveis de falsificar ou fabricar. Ou, no caso de pessoas que não conseguem ser hipnotizadas por mentira, acabam por relatara exatamente a mesma história que relatam acordados, o que já cria suspeita.

    Qualquer pessoa que se permita ser hipnotizada (pois não importa o quão bom o hipnólogo seja, 70% da hipnose é confiança do hipnotizado no hipnotizador) tem reações fisiológicas visíveis conforme seu “transe” se aprofunda, o que aumentam a confiança de que a pessoa está realmente hipnotizada.

    Além disso, é costume fazer algumas perguntas de controle que sejam propositalmente manipulativas, afim de avaliar a tendência da pessoa a usar a imaginação, invés da lembrança. Perguntar coisas sem nexo ou que nunca foram relatadas em nenhum outro caso ajudam a determinar se a pessoa fantasia demais.

    Após essas avaliações, mantém-se a linha de conduzir o acesso de lembranças (com perguntas claras como “Lembre tudo que aconteceu no dia X) e avaliar se o relato tem paralelo com outros relatos de outras pessoas e até de outros pesquisadores.

  3. Você aplica algum tipo de questionário específico na hora em que a hipnose está acontecendo? Quais as perguntas mais importantes para saber se a abdução foi real?

    CC: Muitas abduções são interpretadas pelo cérebro como sonhos, sendo partes do relato aqueles que realmente aconteceram, e outras partes, mais fantásticas, como as partes em que a mente tentou “entender” o que aconteceu e “criou” explicações para os fatos. Geralmente, quando a pessoa está em hipnose real, ela fala claramente as partes que parece sonho, e que não tem certeza se aconteceram, e relata claramente quando realmente lembra de algo. Geralmente, a primeira hipnose e acesso de lembranças é mais “confusa”, mas conforme mais regressões são feitas, a pessoa aprende a diferenciar quando foi lembrança e quando foi imaginação, e ela mesma começa a fazer essa distinção e se ater somente aos fatos (se o hipnólogo for ético e mantiver essa linha, ao invés de forçar alguma crença através da imaginação do abduzido).

    As perguntas normalmente são abertas, mas com algumas características fechadas, como, por exemplo, pedir para ela lembrar e narrar tudo o que aconteceu no dia 24 de Dezembro de 1999. Conforme a pessoa narra, e chega a lembranças suspeitas ou mesmo lembranças obvias, o questionamento começa a focar nesses fatos, mas sempre buscando imparcialidade, deixando a pessoa narrar os detalhes conforme for lembrando, sem influenciar a linha do tempo ou tentar interpretar o que está sendo lembrado.

    Quando os relatos são reais, mesmo que a pessoa não consiga lembrar tudo na primeira hipnose, seu relato segue um começo, meio e fim, sem ficar pulando entre uma situação e outra. Por exemplo, a pessoa lembra quando foi retirada do seu quarto, levada para a nave, e os procedimentos na nave. Ela não volta, de repente, ao momento em que foi retirada do quarto. A pessoa segue a linha do tempo, com começo, meio e fim.

  4. As testemunhas deste fenômeno ainda possuem receio em contar sobre suas experiencias? Ou hoje em dia são mais abertas?

    CC: Na maioria dos casos, as abduzidas genuínas tem receio de falar sobre suas experiencias porquê tem medo de serem ridicularizadas. Em outros casos, a pessoa fala de sua possível abdução como algo fantástico, com curiosidade, mas sem saber exatamente o que aconteceu. De acordo com o Dr. David Jacobs, toda pessoa que descobre ser realmente abduzida, acaba escolhendo A. Nunca mais tentar saber de mais nada, por ser tão estarrecedor ou B. Acaba querendo descobrir mais, mas não fala disso com ninguém, e muitas vezes não consegue mais se encaixar na sociedade. Existem casos menos extremos, mas resumidamente acontecem assim. Não afirmo que 100% dos outros casos são fabricações, mas na minha experiência, muitas das pessoas que abertamente se dizem especiais, abduzidas, contatadas, portadoras de mensagens transcendentais, são charlatãs que encontraram na ufologia um viés de escape ou manipulação.

  5. No fim da sessão de hipnose, se a pessoa teve alguma lembrança traumática, ela se lembrará disso ou há algum “comando” que a faça esquecer?

    CC: Não tive nenhuma experiencia e desconheço se outros pesquisadores tiveram alguma instancia em que o abduzido preferiu esquecer a lembrança, pois o propósito da hipnose é lembrar daqueles eventos que estavam bloqueados da memória. No entanto, há a possibilidade de trabalhar os traumas, para que sejam ressignificados e parem de ser traumas, afim de que o abduzido consiga suportar e viver com essas experiencias.

    Já com casos de traumas relacionados à abusos (em terapia e não em regressões de abduzidos) já tive pessoas que preferiram esquecer o trauma, após sua ressignificação. Então, embora não seja algo comum, esquecer um evento de abdução é uma possibilidade.

  6. Já houve algum caso que foi comprovado indícios de abdução por conta da hipnose?

    CC: Em alguns casos os abduzidos se lembram de procedimentos que causaram marcas e cicatrizes em seu corpo. Após a regressão, encontram-se essas marcas e cicatrizes no corpo, que a pessoa não tinha ideia que estavam lá. Em outros casos, a pessoa lembra de algum implante ter sido colocado em seu corpo e, após um Raio-X, descobre-se que realmente tem um implante de algum tipo naquela área. Em um caso muito raro e incomum, na índia, foi descoberto um implante dentro do cérebro de uma menina de 12 anos. A humanidade, em seu presente estado tecnológico, não tem capacidade de colocar implantes no cérebro e muito menos remove-los. Esse foi um caso estudado por Budd Hopkins.

 

#ÉCrush: Tom – fucking beautiful- Ellis

Eu tinha que fazer uma postagem sobre a minha série favorita atualmente, né minha gente? Para quem me acompanha nas redes sociais, estou eu apaixonada pela série Lúcifer. Moreno alto, bonito e sensual é pouco para cantarolar para esse Deus…digo Diabo. Tom Ellis  nasceu no País de Gales, por isso esse sotaque britânico pura sedução. Ele tem 39 aninhos e atualmente namora (choremos, humanas!).

Tom roubou nossos corações no papel do Anjo Caído Lucifer, consultor da polícia de Los Angeles e parceiro da linda Clhoe Decker, detetive da homicídios. Gente, vocês tem noção de quanto eu torço por um amorzinho entre esses dois? Não, não tem!

Agora, para embelezar ainda mais este post, vou por algumas fotinhas desse lindo! Não vou me prolongar nas palavras, não é isso que queremos ver 😉

 

 

#aleatoriedades: Todos os espaços

“Não coloque sentimentos nos outros que você não possa suprir”. Ouvi essa frase enquanto assistia um vídeo. Aquilo me faz pensar durante alguns dias. Eu finalmente calei os meus sentimentos, decidi deixá-los sufocados como nunca fiz afim de preservar o resto de amor próprio que ainda me sobrava. Mas eu não queria.

As vezes não enxergamos coisas que estão na nossa frente, ou ao que parece, preferimos apenas não ver. Dói menos, machuca menos e é melhor deixar de lado. Eu fui contra tudo o que eu acreditava, tudo que eu queria, mas isso não parece estar preenchendo esses espaços todos. Tentar esquecer não faz com que eu sinta menos falta.

E eu me pergunto até quando vamos fazer algo totalmente ao contrário do que sentimos. Até quando vamos parar de viver coisas que nos fazem bem.  Até quando tentar disfarçar, calar ou esquecer coisas que se sente?